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Como fica o turismo no pós pandemia?

Por Raphaella Piovezan


Coliseu vazio | Foto: Jennifer Lorenzini/Reuters

Em meio a uma crise mundial na área da saúde, parece bobeira pensar em viagens e turismo. Como pensar em visitar o Coliseu ou ir para Nova York quando mais de 300 mil pessoas já morreram no mundo todo?


Mas não podemos negar os fatos: o mercado turístico foi um dos que mais cresceu e empregou nos últimos tempos. Um estudo do World Travel & Tourism Council (WTTC), de 2018 apontou que o turismo gerou 8,8 trilhões de dólares, representando 10,4% do PIB mundial.


O crescimento no mercado de viagens ficou à frente de outros como saúde e tecnologia. Além de ser o setor de maior crescimento ao PIB, o turismo também gerou, no último ano, 319 milhões de empregos no mundo todo. Dessa forma esse setor se mostrou como a segunda indústria mais importante mundialmente, perdendo somente para o mercado de manufaturas, que gerou 4% de renda ao PIB mundial e ficando à frente do setor de saúde e desenvolvimento de tecnologias, que juntos renderam 4,8% no ano de 2018.


Segundo dados da Organização Mundial do Turismo (OMT), em 2018 o número de turistas que fazem viagens internacionais subiu 6% em comparação ao ano anterior, foram registrados 1,4 bilhão de chegadas internacionais em todo o mundo.


O turismo vive de imprevistos (como qualquer outro mercado), alta do dólar, crises políticas em diversos países, desastres naturais, entre outras coisas. Porém, o que ninguém esperava, nem nos piores pesadelos, é que um vírus gerasse uma pandemia que assolaria o mundo todo. Ninguém imaginaria que uma doença fechasse estabelecimentos e fronteiras, muito menos que isso duraria tanto tempo, a ponto de afetar a economia mundial.


Estima-se que o turismo seja um dos segmentos mais afetados pela pandemia. Só no início de março, o setor o setor perdeu R$ 11,96 bilhões, isso representa uma queda de 84% no faturamento em relação a 2019, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).


Agora vamos imaginar o cenário mundial daqui uns meses, pandemia controlada, tudo voltando ao normal (ou novo normal), como fica o turismo pós pandemia? O medo ainda vai existir ou o tempo em que passamos confinados em casa vai fazer com que as pessoas tenham o desejo de se deslocar? A economia mundial vai se restabelecer rapidamente ou viajar será luxo por uns tempos? Teremos novas medidas de segurança em aviões, hotéis e passeios turísticos?


Muitas dúvidas, infelizmente não temos como prever o futuro e o amanhã é incerto, mas tenho alguns palpites sobre como fica esse grande mercado:


Particularmente, sou positiva quanto ao futuro do turismo - mas os dados são um tanto quanto negativos e as chances de que logo sairemos dessa loucura são mínimas. Vai demorar para esse mercado se recuperar, porém quando vemos os números do setor em anos anteriores, mesmo depois da crise em 2015 no Brasil, ele só cresceu e pouco se abalou economicamente. Sendo assim, existem grandes possibilidades do turismo se restabelecer rapidamente no pós pandemia, depois que a vacina for criada e o mundo voltar aos eixos, ou depois que a economia se recuperar e as pessoas voltarem a trabalhar, viajar será com certeza um dos itens principais nas listas de desejos, porque uma coisa que aprendemos com essa pandemia é que a vida passa rápido e devemos aproveitá-la.


Claro, talvez a população comece viajando para perto, outras cidades e estados, países próximos e destinos mais baratos, mas creio que em cinco anos o turismo volte ao ponto que estava no início de 2020 e continue a ser o grande mercado que se mostrou ser na última década. Com as Olimpíadas em 2021, em Tóquio, o carnaval, a volta de grandes eventos esportivos e a Copa do Mundo de 2022, no Catar, o turismo tem imensas possibilidades para aproveitar e crescer.


Eu com certeza serei uma das pessoas que quando puder, vai fazer as malas e sair viajando pelo mundo. Lembro-me de ano passado enquanto estava em intercâmbio, ter feito diversas viagens nesta mesma época do ano. Para mim é bem difícil imaginar os pontos turísticos que eu visitei, vazios e sem vida, então espero de todo coração que as coisas se normalizem.


O fato é que, nesse momento, é preciso ser minimamente otimista e, honestamente, eu sou.


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